sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A solidão é um hábito?

Hoje é meu aniversário
35 anos
Já?

Estou só.
Restaurante favorito
Prato delicioso
Vinho chileno
e ninguém do outro lado da mesa.

Ao meu redor
burburinho
barulho de pratos e copos
outros aniversariantes

Hoje eu tenho direito à sobremesa
Mas pedi a conta antes de terminá-la

Até para chorar é preciso estar sozinho.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eterno começo

Começo muito
Termino pouco

Todos dia, uma idéia nova
Satisfaz por momentos
Podem ser dias, meses
e só

Também amigos e amores são efêmeros
Parecem estação de trem
Às vezes, movimentada
vêm e vão
Mas sempre embarcam no próximo vagão

E eu ali no canto da estação
o prazer da minha dor

Parece simples, não é?
Pegar o próximo trem

Mas as raízes dos meus pés
estão enterradas no apego

Que toma, sufoca
E acolhe

Procura-se uma semana

A semana começou
isso eu lembro

Queria que terminasse
mas não que desaparecesse

Eu lembro da segunda-feira
Mas... a terça e quarta-feiras...
Onde estão? Onde foram parar?

No mesmo lugar das respostas
no mesmo lugar da vida
no mesmo lugar do amor

Em alguma lugar dentro de mim
Guardados pela tristeza que eu escolhi

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

rato atrevido

Imagine você calmamente digitando no laptop
sentada na cama, com a perna em cima de um travesseiro
está quebrada

então você ouve....
um rato
UM RATO!

pequeno, mas ainda um rato

ele fica cara a cara com a gata
que não faz nada
a inútil

você então pula da cama
e apela pro cachorro
alguém tem que tomar uma atitude

as portas são fechadas
a janela também
ele não pode e não vai escapar

atrevido

que absurdo
fugiu pra baixo da cama
para onde já havia ido...
a gata

ninguém nunca ouviu falar em natureza
instintos, essas coisas?

enquanto grito com o cachorro
empunho a muleta
jogo-me no chão
a uma distância saudável
óbvio

e tiro o rato
debaixo da cama

o cachorro está perdido
o gato impassível
eu ofegante pulando num pé só

empurra a cama para cá
empurra a cama pra lá

cadê o rato?
cadê o cachorro?

parece batida policial com fogos de artifício
tal a confusão do perro

e nada do rato passar dessa pra próxima
fodam-se as boas intenções ecológicas

mata esse bicho

morreu?
não
ainda tá se mexendo
não acredito

me armo com as muletas
e corro pro pátio

pego um saco
uma pá

me aproximo
não acredito que tenho que fazer isso

mas coragem
qual?
a sua
ah

pega o bicho
coloca no saco
e joga no lixo

que falta faz um homem numa hora dessas

domingo, 5 de outubro de 2008

Ópio

não gosto de igrejas
mas elas me fascinam
gritam meus grilhões
sussurram minha fé

silêncio!

preciso de tempo...
para quê?

compreender e aceitar

o quê?
não sei

domingo, 14 de setembro de 2008

Dança da Vida

Hoje dancei
Dancei como não lembrava

Por pouco...
Muito pouco...
Meu corpo quase deixou de ser leve.

Mas fui resgatada da solidão
E voltei à vida

Por alguns momentos meu corpo não teve peso
Não teve dor

Girei, girei, girei
Até ficar tonta de pura alegria

A tristeza havia ficado para trás.

sábado, 30 de agosto de 2008

O que é verdade?

Eu não preciso de inimigos
Eu exerço muito bem esse papel
Diria que meu pecado é a excelência

Hoje a luz e a sombra em mim
Travaram uma batalha sem vencedores
Eu cruelmente mortifiquei-me
Eu clamei por bom senso

Eu solucei...
desesperadamente

Eu critiquei...
duramente

O que é verdade em mim?

Tudo e Nada

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Luz da Lua

Dancei, Dancei, Dancei
Vestida de Lua
E tudo ficou mais claro
Acordei

Nada mudou...

Por enquanto

sábado, 9 de agosto de 2008

Uma voz

Uma voz sai dos meus lábios
É estranha...
Não a reconheço...
Suave, gentil

Quem é essa?

Não sei ao certo...
Só que está sozinha.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Autoconhecimento

Descubra quem você é e seja você mesmo.

Ouvi essa frase em um filme, acho que "Um amor para recordar".

Eu chorei, eu senti, o que é bom.

Mas como ser eu mesma, se não sei quem sou...

Recentemente percebi que tenho dificuldade de entrar em contato comigo mesma.

Como descobrir quem eu sou, o que pretendo, se não transponho o muro que contruí?

Pensava que era amigável ...e sociável.

Hoje percebo que gosto das pessoas.... longe.

E sofro com isso.

Afinal rejeito o que mais procuro: contato e carinho.

Descobri que tenho um bloqueio emocional.

E se isso não fosse o suficiente, percebi que busco proteção e segurança.

Tudo bem para você?

Não pra mim.

Eu tenho que buscar amor e segurança dentro de mim.

Eu tenho que me ouvir ...

E ouvir o outro.

Um trabalho difícil...

Hercúleo.

Mitológico

Eu devo começar com bobagens do tipo: "Eu me amo!", olhando no espelho, claro.

Eu devo começar com carinhos no rosto e nos ombros?

Parece tolo.... ou não?

Já falei da agressividade?

E o que você tem com isso? É da sua conta?

É da minha conta.

Que merda!

O que fazer com isso?

Há uma ou duas semanas estou procurando um exercício para liberar minha raiva.

Escolhi Muay Thai.

Que tal?

Esporte oficial da Tailândia.

Esse esporta lá, é o futebol daqui.

Boxe com as mãos e os pés.

Violento, libertador.

Mas ainda não escolhi o lugar.

Em vez disso peguei catapora.

Mantém as pessoas longe... pra variar.

O meu corpo já está no limite.

Não aguenta mais minha raiva e minhas frustrações.

Agora expõe a minha dificuldade de afeto, de contato.

Eu tenho, preciso agir.

Eu vou agir

Apesar de ....

não, sem apesar...

Eu vou agir Ponto

Respire!

Respire!
Devagar
Inspire uma vez...
Isso
Agora expire... devagar
Sinta o ar
Continue... Não desista
Não desista de si mesma
Tudo parece mais fácil, não é mesmo?
Tudo fica mais simples
Não esqueça de respirar
Jamais esqueça de você ou de mim.

domingo, 29 de junho de 2008

Ser ou estar?

Estou com sede de milagres.
Mas milagres não existem.
O milagre é o que eu posso ou não fazer
O que eu quero ou não fazer.
Mas se tudo depende de mim
E eu não quero depender de mim
Eu não confio nem sei mais em que ou quem
Mas sei que não acredito em mim, acredito?
É tão mais fácil desejar o que está fora
É tão mais fácil somente executar
Será que por fim eu vou escolher estar?
Será que eu já desisti de ser?

sábado, 28 de junho de 2008

Qual é o limite?

Qual é o meu limite?
Estou cansada. É fato.
Mas quando isso será motivo e suficiente para eu tomar uma atitude? Ou não será?

Medo!

Finalmente uma possibilidade de retornar ao jornalismo.
Uma oportunidade de voltar ao rádio.
E.... dúvida.

Será que é isso que quero mesmo?

Ah, mas o salário provavelmente é menor....

Besteira.


Desculpas.

Desculpas tolas
que escondem algo mais profundo.

Medo.


É só uma possibilidade, algo que mal se desenhou
Mas o drama foi criado.

É melhor acordar triste, sem perspectivas?
Não. Com certeza, não.

Então o que está errado?
Será que estamos tão acostumados à frustração que é impossível aproveitar um aceno de alegria?

terça-feira, 24 de junho de 2008

Nada muda

Todo dia chego em casa disposta a mudar minha vida.
E todo o dia faço..... nada
muito menos mudar meu destino.
O pior é a consciência
Saber que incomoda e que não vou fazer nada, a não ser observar passivamente a minha impotência.
A tristeza é uma escolha.