segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eterno começo

Começo muito
Termino pouco

Todos dia, uma idéia nova
Satisfaz por momentos
Podem ser dias, meses
e só

Também amigos e amores são efêmeros
Parecem estação de trem
Às vezes, movimentada
vêm e vão
Mas sempre embarcam no próximo vagão

E eu ali no canto da estação
o prazer da minha dor

Parece simples, não é?
Pegar o próximo trem

Mas as raízes dos meus pés
estão enterradas no apego

Que toma, sufoca
E acolhe

Procura-se uma semana

A semana começou
isso eu lembro

Queria que terminasse
mas não que desaparecesse

Eu lembro da segunda-feira
Mas... a terça e quarta-feiras...
Onde estão? Onde foram parar?

No mesmo lugar das respostas
no mesmo lugar da vida
no mesmo lugar do amor

Em alguma lugar dentro de mim
Guardados pela tristeza que eu escolhi

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

rato atrevido

Imagine você calmamente digitando no laptop
sentada na cama, com a perna em cima de um travesseiro
está quebrada

então você ouve....
um rato
UM RATO!

pequeno, mas ainda um rato

ele fica cara a cara com a gata
que não faz nada
a inútil

você então pula da cama
e apela pro cachorro
alguém tem que tomar uma atitude

as portas são fechadas
a janela também
ele não pode e não vai escapar

atrevido

que absurdo
fugiu pra baixo da cama
para onde já havia ido...
a gata

ninguém nunca ouviu falar em natureza
instintos, essas coisas?

enquanto grito com o cachorro
empunho a muleta
jogo-me no chão
a uma distância saudável
óbvio

e tiro o rato
debaixo da cama

o cachorro está perdido
o gato impassível
eu ofegante pulando num pé só

empurra a cama para cá
empurra a cama pra lá

cadê o rato?
cadê o cachorro?

parece batida policial com fogos de artifício
tal a confusão do perro

e nada do rato passar dessa pra próxima
fodam-se as boas intenções ecológicas

mata esse bicho

morreu?
não
ainda tá se mexendo
não acredito

me armo com as muletas
e corro pro pátio

pego um saco
uma pá

me aproximo
não acredito que tenho que fazer isso

mas coragem
qual?
a sua
ah

pega o bicho
coloca no saco
e joga no lixo

que falta faz um homem numa hora dessas

domingo, 5 de outubro de 2008

Ópio

não gosto de igrejas
mas elas me fascinam
gritam meus grilhões
sussurram minha fé

silêncio!

preciso de tempo...
para quê?

compreender e aceitar

o quê?
não sei